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Manter o planejamento de treino do atleta é fundamental para garantir um bom desempenho na prática esportiva.

Dessa forma, a periodização nutricional surge como uma estratégia potencializadora, atuando com a finalidade de dar o suporte aos objetivos individuais do paciente, intensidade nos treinos e necessidades nutricionais durante todo o ciclo de treinamentos. 

O que é a periodização nutricional?

Lambert e colaboradores definiram periodização como o processo de planejar sistematicamente um programa de treinamento de curto e longo prazo, variando as cargas de treinamento e incorporando descanso e recuperação adequados [1]. 

A evolução da periodização nutricional

A periodização nutricional evoluiu muito nas últimas décadas, firmando conceitos baseados em evidências, promovendo práticas integradas e personalizadas.

Considerando que os esforços iniciais eram baseados em recomendações estáticas focadas nas necessidades energéticas para atletas de resistência (endurance), as diretrizes nutricionais se moldaram ao longo do tempo, se tornando específicas para cada evento e para cada atleta, de forma a atender às necessidades, variando de um micro-ciclo de treinamento a toda uma carreira esportiva [2].

                                                                                                       Fonte: Pexels

Qual é o objetivo da periodização nutricional?

A periodização nutricional atua em intervalos com o objetivo de manejo de composição corporal e restrição calórica, de hipertrofia muscular e com objetivo de recuperação e performance.

Assim, o que dita a escolha da conduta nutricional é a etapa sob a qual o atleta está vivendo e o tipo de treinamento que é aplicado.

Para o sucesso da periodização nutricional, é necessário o devido entendimento da estratégia de treino do paciente e de cada sessão de treinamento, com o intuito de estudar o metabolismo energético predominante e dessa forma, elaborar a estratégia nutricional adequada para a determinada fase do treinamento.

Por que periodizar?

Embora não haja uma definição unificada do termo periodização nutricional, existem alguns temas que podem ser explorados para justificar uma manipulação estratégica da ingestão de nutrientes entre e dentro de um período, para a otimização do desempenho esportivo.

Sendo ilustrados pelos seguintes exemplos [2]:

  • Periodizar o gasto energético e o devido aporte de nutrientes para acompanhar as mudanças nas necessidades ou objetivos de treinamento e competição;
  • Estratégias de periodização que aumentam a capacidade de utilização energética de um substrato (por exemplo, betaoxidação) para outro (tipo a glicólise), com o objetivo de aproveitar o aumento da capacidade de ambos os sistemas;
  • Alternar entre duas estratégias frequentemente opostas de suporte nutricional para promover melhores condições de desempenho, possibilitando possíveis melhorias adaptativas;
  • Organizar a ingestão de nutrientes ao longo do dia e em relação ao treinamento, com a finalidade de aumentar a interação metabólica entre exercício e nutrição

Periodização dos sistemas energéticos para construir flexibilidade metabólica

Para muitos atletas, o sucesso na performance é determinado pela capacidade do músculo de otimizar a síntese de ATP (adenosina trifosfato) para atender aos requisitos do exercício, e isso reflete tanto na quantidade de substrato disponível quanto na “flexibilidade metabólica”, ou seja, como na capacidade de integração ou transição entre substratos em resposta a estímulos, alterando o processo catabólico para anabólico [3].

No caso de estímulos contínuos e prolongados (> 90 min), o esgotamento dos estoques de carboidratos (que são relativamente limitados) é uma causa comum de fadiga, acarretando redução no desempenho [4].

Embora os dados específicos sobre as vias metabólicas e o uso de substratos na maioria dos esportes competitivos ainda estejam sendo elucidados, os avanços tecnológicos, como o desenvolvimento de medidores de potência e unidades de sistema de posicionamento global, permitiram a coleta de informações como potência, frequência cardíaca e padrões de movimento que capturam indiretamente as demandas metabólicas de algumas modalidades esportivas [5].

Carboidratos e lipídios são as duas principais fontes energéticas oxidadas pelo tecido muscular esquelético durante exercícios prolongados (tipo endurance).

A contribuição relativa dessas fontes depende em grande parte da intensidade e duração do exercício, com uma maior contribuição dos carboidratos à medida que a intensidade do exercício aumenta [6].

De acordo com a posição da Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva acerca do cronograma de nutrientes, a ingestão pós-exercício (imediatamente a 2 horas após) de fontes de proteína de alta qualidade estimula a síntese proteica no tecido muscular [7].

Ainda conforme o posicionamento, consumir carboidratos isoladamente ou em combinação com proteínas durante exercícios de resistência (endurance) pode aumentar os estoques de glicogênio muscular, reduzindo possíveis danos musculares e facilitando maiores adaptações de treinamento agudas e crônicas.

Alcançar a ingestão diária total de proteína, de preferência com o aporte uniformemente espaçado (aproximadamente a cada 3 horas durante o dia), deve ser visto como a principal área de ênfase para indivíduos que se exercitam [7].

A suplementação e a periodização nutricional

A suplementação na periodização nutricional inclui produtos que atendem aos objetivos nutricionais de atletas em um contexto especializado: suplementos utilizados para prevenir e/ou tratar possíveis deficiências nutricionais (por exemplo, vitamina D ou ferro), macronutrientes produzidos para alta e rápida absorção e necessidades de fluidos em cenários onde forem necessários. 

A prescrição de suplementos nutricionais deve ser pautada na avaliação do estado nutricional e do planejamento alimentar proposto ao esportista, adequando o consumo alimentar e definindo o período de utilização do suplemento.

Ganho de força, aumento da massa muscular e da capacidade aeróbia, redução da gordura corporal, redução da fadiga e rápida recuperação são objetivos comuns entre esportistas.

Suplementos hidroeletrolíticos, energéticos e proteicos compõem três grandes grupos de estratégias amplamente utilizadas por atletas e que possuem efeito significativo sobre o rendimento físico, os macronutrientes.

Existem muitos suplementos no mercado com eficácia comprovada: creatina, β-hidroxi-β-metilbutirato (HMB), leucina, proteína do soro do leite, triglicerídeos de cadeia média (TCM) e muitos outros [8].

A suplementação com maltodextrina pode reduzir a fadiga, melhorando o estado de alerta e foco do atleta [9]. Pesquisadores avaliaram o desempenho de ciclistas que fizeram uso oral (enxague) de uma solução contendo glicose e maltodextrina em comparação com um placebo (contendo sacarina).

Dessa forma, perceberam que o grupo de intervenção realizou um circuito de ciclismo em tempo significativamente mais rápido que o grupo placebo.

Utilizando maltodextrina, percebeu-se também uma redução significativa do tempo de prova. Com tais resultados, sugere-se uma possível classe de receptores orais que se ativam em resposta ao contato com carboidratos [10].

                                                                                                       Fonte: Pexels

O que diz nosso coordenador Humberto Nicastro sobre a suplementação e a periodização nutricional?

A arginina é um aminoácido que estimula a secreção de hormônio do crescimento (GH) por meio da inibição da secreção da somatostatina, que é um hormônio que inibe a secreção de GH, podendo então, aumentar seus níveis em repouso.

O HMβ é um suplemento alimentar com vasto campo de estudo e aplicação na prática clínica como estratégia ergogênica de reabilitação e esportiva, buscando melhorias no desempenho e no ganho de massa muscular.

Evidências demonstram que a suplementação de HMβ pode proporcionar resultados benéficos também na atenuação da perda de massa muscular observada em diversas condições catabólicas.

Dessa forma, o contexto atual abre novas perspectivas para o uso deste suplemento como estratégia nutricional antiatrófica [11,12].

Como determinar a assertividade da periodização nutricional?

É necessário conhecer as estratégias necessárias para implementar com segurança e com o máximo de assertividade.

Como esses sistemas energéticos são polarizados, existe a hipótese de que uma implementação sequencial pode ser capaz de aproveitar a capacidade aprimorada de ambos os substratos.

O suprimento adequado dos substratos ao sistema nervoso central também precisa ser considerado, uma vez que o recrutamento motor, a percepção do esforço, as estratégias de estimulação e a execução de habilidades e tomada de decisão também são importantes na determinação do desempenho [5].

Por isso, compreender as diferentes estratégias da periodização nutricional pode otimizar os resultados do seu paciente e ser a chave para o aumento da performance.

É necessário entender a estratégia de treinamento, a fim de estudar o metabolismo energético predominante e dessa forma, elaborar a estratégia nutricional que se adeque para aquele momento do ciclo de treinamento.

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Referências

[1] LAMBERT, M.I.; VILJOEN, W.; BOSCH, A.; PEARCE, A.J. Sayers M. General principles of training. The Olympic Textbook of Medicine in Sport. p.1–48, 2008.

[2] MUJIKA, I.; HALSON, S.; BURKE, L.M.; BALAGUÉ, G. et al. An Integrated, Multifactorial Approach to Periodization for Optimal Performance in Individual and Team Sports.   International Journal of Sports Physiology and Performance. v.13, n.5, p.538-561, 2018.

[3] GOODPASTER, B.H.; SPARKS, L.M. Metabolic Flexibility in Health and Disease. Cell Metabolism. v.25, n.5, p.1027-1036, 2017.

[4] KARELIS, A.D.; SMITH, J.W.; PASSE, D.H. et al. Carbohydrate administration and exercise performance: what are the potential mechanisms involved? Sports Medicine. v.40, p.747–63, 2010.

[5] BURKE, L.M. Re-Examining High-Fat Diets for Sports Performance: Did We Call the ‘Nail in the Coffin’ Too Soon? Sports Medicine. v.45, p.33–49, 2015.

[6] CERMAK, N.M.; VAN LOON, L.J. The use of carbohydrates during exercise as an ergogenic aid. Sports Medicine. v.43, n.11, p.1139-55, 2013.

[7] KERKSICK, C.M.; ARENT, S.; SCHOENFELD, B.J.; STOUT, J.R. et al. International society of sports nutrition position stand: nutrient timing. Journal of the International Society of Sports Nutrition. v.14, p.33, 2017.

[8] BECKER, L.K.; PEREIRA, A.N.; PENA, G.E. et al. Efeitos da suplementação nutricional sobre a composição corporal e o desempenho de atletas: uma revisão. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva. v.10, n.55, p.93-111, 2016.

[9] ANDRADE, L. M.; AGUIAR, M.; ROTTA, R.M. et al. Correlação do limiar de lactato e limiar glicêmico em exercícios de resistência muscular localizada com suplementação de maltodextrina em diferentes porcentagens. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva.  v.3, n.16, p.340-349, 2009.

[10] CHAMBERS, E. S.; BRIDGE, M. W.; JONES, D. A. Carbohydrate sensing in the human mouth: effects on exercise performance and brain activity. The Journal of Physiology. v.8, n.578, p.1779-1794, 2009.

[11] ZANCHI, N.E.; NICASTRO, H.; GUALANO, B.; COSTA, A.S. et al. Suplementação de HMB – relevância clínica e mecanismos de ação. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte. v.8, n.1, p.123-133, 2009.

[12] NICASTRO, H.; DATTILO, M.; ROGERO, M.M. A suplementação de L-arginina promove implicações ergogênicas no exercício físico? Evidências e considerações metabólicas. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. v. 16, n. 1, 2008.