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O Ginkgo biloba é uma planta medicinal ancestral da China, fonte em flavonóides e terpenóides. Estas substâncias são responsáveis pelos efeitos antioxidantes e redutores de radicais livres.

Os extratos do Ginkgo biloba possuem benefícios na circulação, como a melhora do fluxo sanguíneo arterial, cerebral e periférico. E pela sua ação na estimulação cerebral, o seu uso também é conhecido para a saúde mental.

Apesar de não ter cura para Doença de Alzheimer, vários produtos naturais, entre eles o extrato de Ginkgo biloba têm sido estudados a fim de prevenir os aparecimentos ou retardar a progressão de quadros demenciais.

Venha neste artigo descobrir um pouco mais.

Ginkgo biloba na doença de Alzheimer
Fonte: Freepik

A DOENÇA DE ALZHEIMER

A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência em todo o mundo. Sua etiologia ainda não é totalmente compreendida, mas sabe-se que múltiplos fatores predispõem seu aparecimento, como:

  • Idade
  • Gênero
  • Fator genético.

É classificada como uma doença neurodegenerativa progressiva. Em que há atrofia cerebral, depósitos de placas senis e perda neural que compromete as áreas da cognição, função e comportamento.

O esquecimento de acontecimentos recentes é um sinal precoce, seguido pelo aumento da sensação de confusão mental. Além de prejuízo de outras funções e problemas ao utilizar a linguagem e a compreensão e também realização de tarefas diárias.

Os sintomas progridem de tal forma que as pessoas não podem realizar suas tarefas sozinhas, tornando-as totalmente dependentes dos outros.

Seu diagnóstico é baseado na apresentação clínica que preenche alguns critérios, bem como em biomarcadores de fluido e imagem.

O tratamento atualmente é direcionado à terapia sintomática, embora estudos estejam em andamento com o objetivo de reduzir a produção e a carga geral da patologia no cérebro.

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GINKGO BILOBA E DOENÇA DE ALZHEIMER

Terapeuticamente, o Ginkgo biloba pode ser biologicamente plausível para uso na doença de Alzheimer por algumas razões. Seus efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios presentes em seus flavonóides e terpenóides, como redução de peroxidação lipídica em membranas e cerebral.

Isso protegeria o cérebro contra estresse oxidativo ocasionada também pela idade podendo influenciar na doença e processos inflamatórios.

O QUE DIZEM AS EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS?

Um estudo randomizado e controlado publicado no periódico The Lancet – Neurology teve como objetivo avaliar a eficácia do uso a longo prazo do extrato de Ginkgo biloba. Este por sua vez foi padronizado para a redução da incidência da doença de Alzheimer em adultos idosos com queixas de perda de memória.

Para tal, foram selecionados idosos com 70 anos ou mais que relataram queixas de memória espontaneamente ao seu médico de atenção primária (n= 2.854). Assim, os pesquisadores alocaram aleatoriamente os participantes em uma proporção de 1:1 para uma dose duas vezes por dia de 120 mg de extrato de Ginkgo biloba padronizado (n= 1.406) ou placebo correspondente (n= 1.414) (VELLAS et al., 2012).

Todos os envolvidos na pesquisa foram mascarados para a atribuição do grupo de estudo, a fim de evitar viés. Os participantes foram acompanhados por 5 anos por médicos de atenção primária e em centros de memória especializados.

O que dizem os cientistas
Fonte: Freepik

O desfecho encontrado pelos pesquisadores foi que, em 5 anos, 61 participantes no grupo suplementado com Ginkgo foram diagnosticados com provável doença de Alzheimer (1,2 casos por 100 pessoas ao ano) em comparação com o aparecimento da doença em 73 participantes no grupo de placebo.

Após análise dos dados, os autores concluíram que nessa intervenção, o uso a longo prazo de extrato de Ginkgo biloba padronizado não reduziu o risco de progressão para a doença de Alzheimer em comparação com o placebo.

De acordo com uma revisão sistemática com metanálise acerca dos benefícios do Ginkgo biloba na doença de Alzheimer, o Ginkgo biloba em combinação com a medicina convencional foi superior na melhoria das pontuações de testes específicos para a doença em 24 semanas para a doença de Alzheimer quando comparados com os resultados dos medicamentos tradicionais isolados.

Sendo assim, os pesquisadores concluíram que o Ginkgo biloba parece ser benéfico para a melhora da função cognitiva, atividades da vida diária e avaliação clínica global em pacientes com doença de Alzheimer.

Dietoterapia e Fitoterapia ChinesaCONSIDERAÇÕES FINAIS

Extratos padronizados de Ginkgo biloba representam uma das poucas alternativas à fitoterápicas para drogas sintéticas antidemência no tratamento da doença de Alzheimer.

A eficiência clínica dos extratos padronizados de Ginkgo biloba ainda é controversa, no entanto, há evidências de que pode ser eficaz, uma vez que se observa que as trilactonas terpênicas e os flavonoides do extrato de Ginkgo biloba são responsáveis ​por seus possíveis efeitos farmacológicos.

No entanto, mais pesquisas são necessárias para confirmar a eficácia e segurança do Ginkgo biloba no tratamento da doença de Alzheimer e sua prescrição deve ser orientada por um profissional capacitado.

REFERÊNCIA

VELLAS, B.; COLEY, N.; OUSSET, J.; BERRUT, G. et al. Long-term use of standardised ginkgo biloba extract for the prevention of Alzheimer’s disease (GuidAge): a randomised placebo-controlled trial. The Lancet – Neurology. v.11, n.10, p. 851-859, 2012.

YANG, G.; WANG, Y.; SUN, J.; ZHANG, K. et al. Ginkgo Biloba for Mild Cognitive Impairment and Alzheimer’s Disease: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Current Topics in Medicinal Chemistry. v.16, n.5, 2016.